domingo, 28 de abril de 2013

O carácter de "Cavácuo"

Cavaco Silva fez a vida negra aos governos da AD de Pinto Balsemão em 1981 e 1982,  um ano antes da assinatura de mais um pacote de ajuda do FMI a Portugal (o primeiro tinha sido em 1978).Os executivos Balsemão tinham uma maioria no Parlamento mas Cavaco não se importou com isso.
Conspirou, escreveu cartas abertas, fez reuniões secretas no Banco de Portugal, na sua vivenda algarvia Mariani (de Maria e Anibal). Até em traineiras de pesca com sardinhada ao almoço conspirou.
Destruiu mas nunca apresentou alternativas. Na hora da verdade, não apresentava listas nos órgãos nacionais do PSD.
Contribuiu fortemente para a instabilidade política, que levou os governos Balsemão à queda, e nesta medida, é também responsável pela degradação na altura das condições económicas do país e pelo recurso inevitável ao FMI para se evitar a bancarrota. 
Em Fevereiro de 1983, com o PSD em fanicos e o país aflito, a três meses de ser resgatado, Cavaco nem se dignou ir ao Congresso laranja de Montechoro. Preferiu ficar no bem-bom da Mariani, a 200 metros da assembleia magna do PSD.
Nem quis participar na campanha para as eleições de 25 de Abril de 1983.
Durante o governo do Bloco Central, entre 1983 e 1985, Cavaco recusou negociar enquanto quadro do Banco de Portugal com as equipas do FMI que estiveram no país.
Quando Mota Pinto lhe pediu para expor, num Conselho Nacional do PSD,  a politica económica do governo, primeiro não quis e depois acabou por fazer um discurso muito crítico para a política do governo, que fez tremer o executivo e ameaçou o  cumprimento do programa de assistência internacional.
    
De vez em quando Cavaco dava apoio mitigado à direcção do PSD, fazendo jogo duplo com Mota Pinto e o governo do Bloco Central. Tinha o único objectivo de se manter à tona, à espera do melhor momento para aparecer, após os outros terem feito o trabalho difícil da recuperação do país.
Em 1985 chegou essa hora. Venceu o Congresso da Figueira da Foz e rompeu o acordo do Bloco Central, o que conduziu à realização de eleições antecipadas que já sabia que ia ganhar, esmagando o PS com a ajuda de Ramalho Eanes e do seu novo PRD.
É este homem, hoje Presidente da República, que fala no 25 de Abril na necessidade imperiosa de acabar com a crispação política,  gerando consensos e "condições estruturais de governabilidade" para evitar um segundo pacote de resgate e critica quem explora "politicamente a ansiedade e a inquietação dos nossos concidadãos"...

Paulo Gaião, "O conspirador da Mariani queria lá saber do FMI"
in Expresso, 26/04/2013

(via Arrastão)

terça-feira, 9 de abril de 2013

O material tem sempre razão (5)

Há várias  coisas que nunca se devem esquecer: esta gente é vingativa e não se importa de estragar tudo à sua volta para parecer que tem razão. Já nem sequer é por convicção, é por vaidade e imagem.
Outra coisa, ainda mais complicada, que também não deve ser esquecida: o governo considera bem-vindas as ameaças da troika. São a chantagem que precisam, pedem e combinam. Não são uma voz alheia, nem dos "credores", nem da troika, nem de ninguém, são o auto falante agressivo que o governo necessita para tornar a sua política inquestionável e servir de ameaça a todas as críticas.
E por último, e não é de menos, esta gente é perigosa e, na agonia, muito mais perigosa ainda.

(A propósito do despacho do ministro Vítor Gaspar de 8 de Abril que pára o funcionamento do estado português, atribuindo essa decisão ao Tribunal Constitucional. O governo entrou numa guerra institucional dentro do estado, em colaboração com a troika, para abrir caminho a políticas de duvidosa legalidade e legitimidade baseadas no relatório que fez em conjunto com o FMI. Não conheço nenhum motivo mais forte e justificado para a dissolução da Assembleia da República por parte do Presidente do que este acto revanchista contra os portugueses.)

José Pacheco Pereira
in Abrupto, 09/04/2013

sábado, 6 de abril de 2013

Windows Update atrofiado (II)

Windows 8: erro 8024800A

Solução (obtida aqui):

1.- Correr o "Command Prompt" (Linha de comandos) como administrador.
(Botão dto. do rato > Executar como administrador)

2.- Parar o serviço do Windows Update (WUAgent).
C:\Windows\system32>net stop wuauserv

3.-  Mudar o nome da directoria "SoftwareDistribution" para "SoftwareDistribution.old", criando assim um backup "just in case".
C:\Windows\system32>ren c:\windows\SoftwareDistribution softwaredistribution.old

4.- Iniciar o serviço do Windows Update.
C:\Windows\system32>net start wuauserv

5.- Voltar a "Procurar actualizações".

sexta-feira, 5 de abril de 2013

I Governo Inconstitucional(*)

Estamos perante o primeiro governo que apresenta dois orçamentos inconstitucionais consecutivos. É obra! Simplesmente vergonhosa a forma como desprezam as leis do País.

(*) daqui.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Isto está a correr bem...

FMI: Apoio europeu é fundamental para a Irlanda dispensar um segundo resgate
A sustentabilidade da dívida pública irlandesa permanece um factor de preocupação. Para sair do programa da troika e regressar em pleno aos mercados é preciso que a Europa cumpra de forma “atempada e vigorosa” as suas promessas de apoio, adverte o FMI. Um recado que pode ser alargado a Portugal.

in Negócios, 03/04/2013

... não está(va)?

quinta-feira, 28 de março de 2013

Ai disse, disse!

(...) O que disse José Sócrates de novo? Quatro coisas. 1) Fez o mais violento ataque em democracia a um Presidente da República, culpando-o diretamente pela crise política que levou à queda do anterior Governo e à atual solução governativa. Ninguém o tinha dito com tanta brutalidade. Ninguém tinha dito que foi ele a mão por trás do arbusto. Ninguém tinha dito que foi ele o patrono da crise política e desta solução governativa, com a qual está completamente comprometido.

2) Sublinhou que o PEC IV tinha o apoio do BCE, do Conselho Europeu e da Comissão Europeia. Não era claro para toda a gente embora a irritação de Angela Merkel com o chumbo do PEC IV constitua uma possível confirmação. Isso não quer dizer, como é evidente, que o PEC IV seria o buraco da agulha por onde escaparíamos sem ter de pedir um resgate ao FMI. Mas que havia apoio da União ao PEC IV, lá isso havia.

3) Nas parcerias público-privadas, uma das principais acusações que lhe faziam, Sócrates lembrou que das 22 PPP existentes só 8 lhe podem ser atribuídas. E que recebeu encargos de 23 mil milhões com as PPP, que reduziu para 19 mil milhões quando deixou o Governo. Os números são oficiais, estão nos Orçamentos do Estado - e contrariam o discurso que tem sido feito sobre esta matéria.

4) No que toca ao memorando, recusou que o que está em prática tenha sido o documento que assinou. Disse que já houve sete mudanças e que muitas medidas - subida do IVA para a restauração e para a energia, corte de meio subsídio de Natal logo em 2011 e confisco dos dois subsídios à função pública em 2012 - não estavam no documento original, o que é verdade. Se se podia fugir a elas ou seguir outro caminho, é outra discussão que o ex-primeiro-ministro defende, ao dizer ao Governo para parar de escavar o buraco da austeridade.

Na entrevista à RTP-1, Sócrates ajustou contas com o passado e reivindicou o direito a defender a sua versão dos acontecimentos e a ser comentador televisivo, tanto mais que, lembrou, quatro ex-líderes do PSD tem espaços desse tipo nas televisões.

Nicolau Santos
in Expresso, 28/03/2013

refrão

Eslovénia, o próximo na lista do Eurogrupo?
Os investidores internacionais estão a manifestar nervosismo em relação a este membro da zona euro. Os juros das obrigações atingiram ontem um máximo histórico acima de 6%.

in Expresso/Economia, 28/03/2013

"e nós não somos a Eslovénia
e nós não somos a Eslovénia
e nós não somos a Eslovénia
.
.
"

next.

sexta-feira, 15 de março de 2013

"über-surrealista"

Os idiotas do "ir para além da troika" dizem agora que o plano foi "mal desenhado" e "mal concebido".

A sério, a postura deste governo começa a ir para lá dos limites do surrealismo.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Populismo doméstico

(…) as recentes declarações de Freitas do Amaral sobre Sócrates são reveladoras, ao insistirem na explicação fulanizada daquilo que já devia ser visto como um problema sistémico. Afinal, tudo parece resumir-se ao ex-PM não ter querido "cortar na despesa". 
2. Esta opinião só pode resultar de um desconhecimento fáctico - Freitas deve ignorar tanto as duras medidas do OE2011 como as previstas no PEC4 - e da incapacidade de compreender como a Zona Euro chegou à crise das dívidas soberanas: como a sua arquitetura institucional condicionou o desenvolvimento da periferia; como a UE acordou em 2008 com os Estados um aumento do investimento público para minorar o impacto da maior crise dos últimos 80 anos; como na ausência de soberania monetária, de um orçamento federal, e de um banco central com um papel de prestamista de último recurso os países com défices mais altos ficariam à mercê dos mercados; como cortar a eito em 2010 não resolvia nada (e teria impedido o país de crescer 1,9%), porque qualquer consolidação só fazia sentido numa ação concertada com o BCE e a Comissão, como contrapartida de estabilização dos spreads da dívida pública (o PEC4)
3. Freitas parece seguir a estratégia absurda que trata de modo assimétrico o período entre 2008 e a primeira metade de 2011 e aquele entre a segunda metade de 2011 e o presente. No primeiro, a crise internacional e a incoerência institucional da UE são irrelevantes; no segundo, a economia europeia e as decisões do BCE já são variáveis-chave para a recuperação portuguesa. Enquanto as elites nacionais não fizerem uma Revolução Copernicana e substituírem a explicação fulanizada pela análise sistémica de como a Europa chegou à crise de 2010 que ainda se prolonga, não contribuiremos para combater os populismos europeus que bloqueiam uma solução para a crise.
Hugo Mendes
in Económico, 07/03/2013